A construção dos parques eólicos, localizados nos municípios de Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede e Areia de Baraúnas, tiveram início no quarto trimestre de 2019 e tem prazo de execução de até 36 meses, estando prevista a conclusão de todos os complexos eólicos em 2022.

 Embora a energia eólica, gerada pela força dos ventos, seja reconhecidamente uma fonte limpa e renovável de eletricidade, ela tem um lado negativo que causa impactos ambientais significativos, como morte de animais e a destruição de vegetação nativa.

E foi com o objetivo de fazer a escuta da comunidade sobre as ações e impactos da instalação dos grandes parques e usinas de energia eólica no sertão do Estado, a Frente Parlamentar Ambientalista da ALPB realizou nesta sexta-feira (29) uma Visita de Campo nos municípios de São José do Sabugi e Santa Luzia.

No roteiro da Visita, a Comunidade Redinha, em São José do Sabugi; e Comunidade do Pinga, em Santa Luzia.

Para a deputada Estela Bezerra, presidente da presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, a energia renovável veio pra ficar, mas é preciso incluir as questões sociais nesse processo. “O Brasil fez um estudo e um plano dentro de uma concepção que vinha do governo anterior. Mas tivemos uma presidenta que foi retirada do cargo por meio de um golpe e uma sucessão de novos presidentes que não incluem a pauta ambiental em suas metas. A lei que atraiu as empresas de energias renováveis tinham um pacto social, e esse pacto não está sendo cumprido”, disse a deputada.

Vanúbia Martins, da Comissão Pastoral da Terra, traz uma questão pertinente: “Como ficou a nossa vida depois que essas empresas vieram? Muitas estradas foram abertas em meio a mata local e não houve ações de reflorestamento. Precisamos ter um olhar crítico na questão ambiental, porque o econômico sempre vem primeiro na cabeça das pessoas”.

Estela considera que o encontro foi esclarecedor. “Saímos daqui com uma visão ampliada da realidade local e nós temos uma série de considerações, especialmente no que diz respeito a ampliação do diálogo. São muitas realidades que precisam se adaptar.”

“Os problemas apresentados aqui se repetem em outras comunidades. Não é uma questão que se resolve sozinho, precisamos de união com a classe política, da comunidade organizada, e de um olhar mais significativo sobre as questões sociais e ambientais”, finalizou a parlamentar.

Entre os pontos debatidos na Visita Técnica, estão: propor algumas mudanças na Legislação Ambiental no sentido de diminuir os impactos causados; mobilizar uma Audiência Pública proposta por Zé Gonçalves de Patos,  para tratar sobre o tema; promover um novo encontro para debater a instalação do Parque de Energia solar em Patos, onde existe a perspectiva de desmatar cerca de 2.700 hectares de mata de caatinga; buscar solução para que as empresas cumpram os benefícios sociais que foram acordados em contrato;  realizar um diálogo relativo ao acesso aos contratos firmados com as empresas.

Na comitiva também estavam presentes a deputada estadual Cida Ramos; a vereadora de Campina Grande, Jô Oliveira; Jessica Siviero Vicente – Analista de Justiça Climática da ACTION AID; Anchieta Assis, do Comitê de Energias Renováveis do Semiárido; representantes do Programa de Promoção e Ação Comunitária de Patos; Armando Virgolino, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Santa Luzia; representantes do Programa de Desenvolvimento Local do Agreste da Paraíba – ASPTA; entre outros pesquisadores, líderes comunitários locais e vereadores dos municípios visitados.