Em 2021 foi sancionada a Lei11.848, de autoria da deputada estadual Estela Bezerra, que institui o Dia Marielle Franco – Dia de enfrentamento às violências contra as mulheres negras, a ser celebrado em 14 de março, dia em que a vereadora foi assassinada.

As mulheres negras são as maiores vítimas dos vários níveis de violências físicas e institucionais. Dados do Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), ao analisar dados de violência entre os anos de 2006 e 2016, indicou um aumento de6,4 % no número de mulheres assassinadas no país. Só em 2016, 4.645 mulheres foram mortas, o que representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras.

“A família de Marielle é paraibana, mas ela era uma cidadã do mundo, não só como uma mulher negra de periferia, mas como autoridade que foi executada pela milícia do Rio de Janeiro e que mantém relações íntimas com  a presidência da República”, afirmou a parlamentar. 

“Estamos construindo outra narrativa, de que as pessoas precisam ter a vida protegida e que as mulheres precisam estar em espaços de poder. É preciso ter muita força para ser uma mulher negra e estar na política. Essa data tem um pedido de memória e pedido de reparação, como foi reforçado pelos colegas que reconheceram a grandeza desse gesto”, disse Estela. 

 Completados 4 anos do assassinato de Marielle Franco, e do motorista Anderson Gomes, o crime ainda não foi totalmente esclarecido. O PM Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz estão presos desde 2019 como autores dos crimes, mas os verdadeiros mandantes ainda não foram denunciados. A previsão inicial era que os dois executores fossem levados à júri popular no primeiro semestre de 2020. Ronnie Lessa e Élcio Queiroz ainda aguardam o júri popular e permanecem detidos na penitenciária federal, em Porto Velho (RO).